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07 Setembro 2026

Campo Comandantes: conheça o projeto de R$ 400 milhões que amplia a aviação executiva em Itajaí

Campo Comandantes recebe projeto de expansão de R$ 400 milhões em Itajaí. Entenda o que está previsto, em que estágio estão as obras e por que a aviação executiva ganha espaço na região.

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Itajaí já possui uma infraestrutura de transportes pouco comum para uma cidade de seu porte. Está conectada à BR-101, próxima à BR-470, possui um dos principais complexos portuários do país e está a poucos quilômetros do Aeroporto Internacional de Navegantes.

Agora, outra modalidade de conexão começa a ganhar maior relevância na cidade: a aviação executiva.

O Campo Comandantes, localizado na região do Campeche, em Itajaí, está passando por um processo de expansão que prevê aproximadamente R$ 400 milhões em investimentos ao longo de quatro anos. O projeto é conduzido pela Aruna Urbanismo e pretende ampliar significativamente a capacidade do aeródromo para receber aeronaves utilizadas na aviação de negócios.

Mas existe uma diferença importante: apesar de algumas divulgações tratarem o projeto como o “novo aeroporto de Itajaí”, não se trata da construção de um aeroporto comercial do zero. O Campo Comandantes já existe e possui o código aeronáutico SIJY. O que está em andamento é a transformação e ampliação dessa estrutura para assumir uma operação muito maior e especializada em aviação executiva.

Essa distinção ajuda também a compreender por que o projeto não deve ser visto como um substituto para o Aeroporto Internacional de Navegantes. São estruturas com funções diferentes dentro da conectividade regional.

 

O que você vai entender neste artigo

Vamos conhecer o projeto previsto para o Campo Comandantes, entender o que já existe atualmente, quais estruturas estão sendo ampliadas e por que a aviação executiva encontra espaço em uma região marcada por atividades portuárias, indústria, logística, comércio exterior, serviços e turismo.

 

Também vamos analisar o que uma infraestrutura como essa pode revelar sobre o desenvolvimento econômico regional, sem transformar sua implantação em uma promessa automática de valorização imobiliária.

 

O Campo Comandantes não é exatamente um novo aeroporto

O Campo Comandantes está localizado na região do Campeche, em Itajaí, próximo ao Rio Itajaí-Mirim. O aeródromo já opera há anos e é oficialmente identificado como Itajaí/Campo Comandantes (SIJY) nos registros aeronáuticos.

 

Por isso, dizer simplesmente que Itajaí está “ganhando um novo aeroporto” pode causar uma interpretação equivocada. O projeto anunciado consiste na expansão e qualificação de uma infraestrutura aeronáutica já existente, com foco específico na aviação executiva.

 

Essa diferença é importante porque o modelo de operação também não é o mesmo encontrado em aeroportos comerciais tradicionais.

 

Enquanto o Aeroporto Internacional de Navegantes atende passageiros por meio de voos regulares operados por companhias aéreas, o Campo Comandantes pretende atender principalmente jatos executivos, turboélices e outras aeronaves utilizadas em deslocamentos privados e empresariais.

 

Portanto, as duas estruturas podem cumprir papéis complementares na região.

 

O que está previsto no projeto de R$ 400 milhões?

A expansão anunciada pela Aruna Urbanismo prevê investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões distribuídos ao longo de quatro anos. Uma das principais intervenções está justamente na pista.

 

O projeto prevê ampliar a estrutura de aproximadamente 1.000 metros de comprimento por 18 metros de largura para 1.400 metros por 30 metros, além da implantação de balizamento para permitir operações noturnas.

 

A ampliação é relevante porque comprimento, largura, pavimentação e demais características de uma pista interferem diretamente nos tipos de aeronaves e condições em que elas podem operar.

Mas o projeto vai além da pista.

 

A partir das etapas seguintes, está prevista a implantação de um FBO, ou Fixed Base Operator, estrutura destinada ao atendimento em solo de aeronaves, passageiros e tripulações da aviação executiva. Também está planejado um complexo aeronáutico com aproximadamente 65 hangares, entre lotes particulares e estruturas maiores destinadas à locação e às operações do próprio complexo.

 

O resultado pretendido é transformar o Campo Comandantes em uma infraestrutura especializada, reunindo operação aeronáutica, hangares e serviços relacionados à aviação executiva em um mesmo local.

 

 

Em que estágio o Campo Comandantes está atualmente?

Este é um dos pontos que exige maior atenção.

 

Ao longo de 2026, diferentes etapas do projeto apareceram em estágios distintos de licenciamento e implantação. Em abril, o Instituto Itajaí Sustentável analisava o pedido de Licença Ambiental de Instalação relacionado à expansão. Em julho, publicações especializadas ainda indicavam etapas do projeto em processo de licenciamento.

 

Ao mesmo tempo, existem sinais concretos de intervenções no local. O sistema oficial de informações aeronáuticas do DECEA publicou um NOTAM determinando o fechamento temporário do Campo Comandantes entre 27 de julho e 4 de dezembro de 2026 devido a obras.

 

A própria Aruna também divulgou, no final de julho, o início da expansão do empreendimento.

 

Por isso, é importante separar as informações: existem obras e intervenções acontecendo no Campo Comandantes, mas o projeto completo de R$ 400 milhões será desenvolvido em diferentes etapas ao longo dos próximos anos.

 

Não significa, portanto, que todo o complexo anunciado já esteja simultaneamente em construção ou que todas as estruturas estejam próximas da conclusão.

 

Por que Itajaí pode comportar um aeroporto executivo?

A localização ajuda a compreender a lógica do projeto.

 

Itajaí está inserida em uma das regiões economicamente mais dinâmicas de Santa Catarina. Atividades portuárias, logística, comércio exterior, indústria naval, serviços, construção civil e turismo formam um ambiente empresarial que movimenta profissionais e executivos de diferentes regiões do Brasil.

 

Ao mesmo tempo, municípios próximos como Navegantes, Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo e Blumenau ampliam significativamente a área de influência econômica dessa infraestrutura.

 

A aviação executiva atende justamente uma lógica diferente da aviação comercial. Em vez de depender de rotas e horários regulares das companhias aéreas, ela permite deslocamentos diretamente relacionados à agenda de empresas, empresários e profissionais.

 

Isso ajuda a explicar por que a implantação de estruturas desse tipo costuma estar associada a regiões que concentram atividade empresarial.

 

A pergunta mais interessante, portanto, talvez não seja apenas “por que construir um aeroporto executivo em Itajaí?”, mas também:

 

o que precisa existir em uma região para justificar um investimento privado dessa dimensão em aviação executiva?

 

Porto, rodovias, aeroporto comercial e agora aviação executiva

Quando observadas em conjunto, diferentes infraestruturas ajudam a explicar a posição estratégica ocupada por Itajaí e Navegantes.

 

O complexo portuário conecta a região ao comércio internacional. A BR-101 estabelece a principal ligação rodoviária norte-sul. A BR-470 conecta o litoral ao Vale do Itajaí e ao interior catarinense. O Aeroporto Internacional de Navegantes realiza a conexão aérea regular com diferentes cidades brasileiras.

 

O Campo Comandantes acrescenta uma nova camada a essa rede: a conectividade aérea voltada especificamente à aviação de negócios.

 

Essas estruturas não funcionam isoladamente. Empresas instaladas na região utilizam rodovias, portos, aeroportos, fornecedores, serviços e mão de obra distribuídos por diferentes municípios.

 

É justamente essa combinação que ajuda a entender por que infraestrutura de transporte não deve ser analisada apenas pela quantidade de passageiros ou veículos que utiliza determinada estrutura.

 

Ela também interfere na capacidade de uma região se conectar economicamente com outros mercados.

 

O que isso tem a ver com o mercado imobiliário?

A expansão do Campo Comandantes já começou a aparecer em conteúdos que relacionam o investimento diretamente à valorização dos imóveis de Itajaí. Essa associação, entretanto, precisa ser tratada com cuidado.

 

Não existe uma relação automática em que a construção ou ampliação de um aeroporto determine quanto os imóveis próximos passarão a valer.

 

O comportamento do mercado imobiliário depende de diversos fatores: oferta e demanda, empregos, renda, infraestrutura urbana, mobilidade, disponibilidade de terrenos, legislação, padrão dos empreendimentos e características específicas de cada localização.

 

O Campo Comandantes pode ser observado por outra perspectiva.

 

Um investimento privado de aproximadamente R$ 400 milhões em infraestrutura para aviação executiva indica que empresas estão identificando demanda por conectividade empresarial na região. Essa informação ajuda a compreender a evolução econômica de Itajaí e do litoral norte catarinense, mas não deve ser transformada isoladamente em uma previsão de valorização imobiliária.

 

Para quem pesquisa uma cidade, infraestrutura é mais útil quando funciona como indicador de transformação econômica e urbana do que como promessa sobre o preço futuro de um imóvel.

 

A aviação executiva revela outra dimensão do crescimento regional

Quando pensamos no desenvolvimento do litoral catarinense, os sinais mais visíveis costumam estar nos edifícios, no turismo e nas obras públicas.

 

Mas existem outros indicadores.

 

Portos ampliam capacidade. Rodovias são duplicadas. Empresas chegam à região. Serviços especializados surgem para atender novas demandas. E infraestruturas que antes poderiam parecer incompatíveis com a escala econômica local começam a encontrar mercado.

 

A expansão do Campo Comandantes pode ser observada dentro desse contexto.

 

Não é necessário afirmar que o projeto transformará sozinho a economia de Itajaí. A relação pode ser analisada também no sentido contrário: a transformação econômica que já ocorreu na região ajuda a explicar por que um projeto dessa dimensão está sendo desenvolvido aqui.

Essa talvez seja a leitura mais interessante do Campo Comandantes.

 

 

Como aplicar esse conhecimento na sua pesquisa

Ao pesquisar uma cidade para morar ou investir, vale observar não apenas os novos empreendimentos imobiliários, mas também quais infraestruturas estão surgindo para atender sua economia.

 

Portos, aeroportos, rodovias, centros empresariais, universidades, hospitais e serviços especializados ajudam a revelar quais atividades movimentam determinada região e como ela se conecta com outras cidades.

 

Isso não significa transformar cada novo investimento em argumento para comprar um imóvel. Significa utilizar essas informações para compreender melhor por que uma cidade cresce e quais atividades sustentam esse crescimento.

 

No caso de Itajaí, a expansão da aviação executiva acrescenta mais uma informação a uma combinação que já envolve atividade portuária, logística, indústria, comércio exterior, turismo e serviços.

 

O Campo Comandantes ainda terá diferentes etapas pela frente. Acompanhar sua evolução permitirá entender não apenas como o projeto se desenvolve, mas também como a própria demanda por aviação executiva se comportará nos próximos anos. 

 

Continue explorando

Compreender uma região exige olhar além dos novos edifícios. Infraestrutura, economia, mobilidade e investimentos ajudam a explicar como as cidades se conectam e por que determinados polos urbanos se desenvolvem.

 

No Direto na Planta, você também pode conhecer os conteúdos sobre a nova fase do Porto de Itajaí, os investimentos que estão transformando o litoral catarinense e o que investidores observam antes de comprar um imóvel. 

 

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