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Morro do Careca ganha novo complexo turístico: o que está sendo construído em um dos mirantes mais conhecidos da região?
Morro do Careca passa por transformação para receber o Skyglass BC, novo complexo turístico entre Balneário Camboriú e Praia Brava. Conheça o projeto, as atrações previstas e em que estágio estão as obras.
Durante décadas, chegar ao alto do Morro do Careca significou encontrar uma das vistas mais conhecidas do litoral catarinense. De um lado, Balneário Camboriú e a Praia dos Amores. Do outro, a Praia Brava, em Itajaí. No topo, a rampa de voo livre ajudou a transformar o lugar em ponto de encontro de praticantes do esporte, moradores e visitantes.
Essa experiência está passando por uma transformação importante.
O Morro do Careca está recebendo um novo complexo turístico, o Skyglass BC, projeto desenvolvido dentro de uma concessão do espaço público à iniciativa privada. A proposta prevê novos mirantes, plataforma suspensa de vidro, atrações de aventura, gastronomia, espaços para eventos e a modernização da estrutura destinada ao voo livre.
O projeto ganhou novamente atenção no fim de setembro de 2026, quando representantes da concessionária apresentaram detalhes à comunidade da Praia dos Amores. Ao mesmo tempo, novas estruturas previstas para o acesso ao morro, incluindo um sistema de transporte inclinado e estacionamento, avançaram nas discussões municipais.
Mais do que uma nova atração turística, a transformação do Morro do Careca ajuda a entender um movimento maior que ocorre nessa parte do litoral: a criação de equipamentos capazes de modificar a forma como moradores e turistas utilizam determinadas regiões da cidade.
O que você vai entender neste artigo
Você vai conhecer o projeto previsto para o Morro do Careca, entender o que já está em implantação e o que ainda depende de etapas de aprovação, conhecer as principais atrações planejadas e compreender por que um equipamento turístico dessa dimensão também precisa ser analisado a partir de seus efeitos sobre mobilidade, infraestrutura e uso do entorno.
Um lugar conhecido por sua paisagem e pelo voo livre
O Morro do Careca está localizado no extremo norte de Balneário Camboriú, no bairro Praia dos Amores, junto à divisa com Itajaí. Sua posição geográfica é uma das características que tornaram o local conhecido: do alto é possível observar tanto a costa de Balneário Camboriú quanto a Praia Brava.
O espaço também possui uma relação histórica com o voo livre. A legislação que instituiu o Complexo Turístico Morro do Careca caracteriza a área pública, com aproximadamente 33 mil metros quadrados, como Área de Preservação Permanente destinada a atividades relacionadas a ecoturismo, educação, esporte e preservação ambiental. O texto determina ainda a manutenção do sistema nativo e a recuperação de áreas degradadas.
Isso ajuda a entender por que a transformação do morro é mais complexa do que simplesmente construir uma nova atração. Trata-se de inserir estruturas turísticas em uma área ambientalmente sensível e que já possui usos consolidados.
O que é o Skyglass BC?
O projeto pretende transformar a visita ao Morro do Careca em uma experiência turística mais estruturada.
Entre os elementos apresentados estão novos mirantes, uma plataforma ou passarela suspensa de vidro, espaços de alimentação, atrações de turismo de aventura e modernização da rampa utilizada para voo livre. Essas características foram novamente apresentadas à comunidade em setembro de 2026 pela Volare Empreendimentos Turísticos, responsável pelo complexo.
Uma das atrações anunciadas é o Atrevido, um balanço panorâmico com 25 metros de altura. O projeto prevê ainda restaurante, espaços para eventos e ambientes destinados a casamentos e encontros corporativos.
O voo livre, portanto, não deverá desaparecer com a transformação do espaço. A proposta divulgada pela operação prevê sua integração ao novo complexo, inclusive com profissionais autorizados para voos de instrução acompanhados por visitantes.
Essa combinação procura mudar a lógica atual do lugar. O visitante que antes chegava principalmente para observar a paisagem ou acompanhar os voos passa a encontrar diferentes atividades capazes de ampliar o tempo de permanência no morro.
O acesso ao topo também faz parte da transformação
Uma das mudanças mais relevantes apareceu com maior clareza em 2026.
O projeto passou a contemplar um funicular, também apresentado como trem de montanha ou monotrilho inclinado, para fazer a ligação entre a parte inferior do complexo e o alto do Morro do Careca. A estrutura está associada a uma solução de acessibilidade ao ponto turístico.
A proposta analisada pelo Conselho da Cidade prevê uma estação de embarque integrada a um edifício de estacionamento, além da incorporação de uma área adicional de aproximadamente 3 mil metros quadrados ao complexo. O projeto contempla vagas para automóveis, motocicletas, bicicletas e patinetes.
Esse ponto é particularmente importante porque um equipamento turístico não termina nos limites de sua atração. Quanto maior o número de visitantes, maior também tende a ser a necessidade de organizar acessibilidade, estacionamento, circulação de pedestres e veículos e conexão com o restante do bairro.
Por isso, parte da discussão recente com os moradores da Praia dos Amores envolveu não apenas o Morro do Careca, mas também trânsito, segurança, educação, infraestrutura e outras mudanças previstas para a região.
O projeto já está sendo construído?
Sim, mas é importante separar as diferentes etapas.
A Prefeitura de Balneário Camboriú assinou em julho de 2025 a ordem de serviço para o início das obras do Complexo Turístico Morro do Careca. Naquele momento, o Município informou que os trabalhos começariam pelas estruturas relacionadas à acessibilidade universal e divulgou investimento privado estimado em cerca de R$ 50 milhões.
Portanto, diferentemente de projetos que permanecem apenas no campo dos estudos ou anúncios, existe uma concessão formalizada e uma implantação efetivamente iniciada.
Isso não significa, porém, que todas as estruturas hoje apresentadas estejam no mesmo estágio.
A concessão original já previa a implantação e exploração de equipamentos turísticos. Posteriormente, o projeto recebeu novos componentes, como o funicular e a estrutura de estacionamento, que passaram por análise do Conselho da Cidade e foram incorporados a uma proposta legislativa específica em 2026.
É justamente essa evolução do projeto que explica por que algumas informações divulgadas anteriormente já não representam integralmente o complexo que está sendo planejado hoje.
Quando o novo Morro do Careca deve ficar pronto?
O cronograma também mudou.
Quando a ordem de serviço foi anunciada, em julho de 2025, a previsão divulgada pela Prefeitura apontava conclusão em dezembro de 2026.
Em maio de 2026, entretanto, o diretor-geral do Skyglass BC informou que a expectativa havia passado para julho de 2027, condicionada ao andamento das liberações e das obras.
Como o projeto continuou recebendo alterações e novas estruturas foram discutidas posteriormente, é mais prudente considerar 2027 como a referência atualmente divulgada pela operação, sem tratar julho como uma data definitiva para a abertura de todo o complexo.
Uma concessão transforma o espaço, mas ele continua sendo público
Existe outra característica importante para compreender o projeto.
O Morro do Careca não foi vendido à iniciativa privada. O modelo adotado é uma concessão de direito real de uso.
A legislação municipal autorizou a exploração do complexo por até 20 anos, admitindo prorrogação por igual período. O contrato estabelece que cabe à concessionária implantar, reformar e manter os equipamentos turísticos e administrar a área concedida, assumindo os custos e riscos da operação. Ao término da concessão, as edificações e melhorias previstas no contrato retornam ao patrimônio municipal.
Esse modelo permite que um espaço público receba investimento e exploração comercial privada durante determinado período, mantendo regras e obrigações estabelecidas pelo poder público.
No caso do Morro do Careca, essa relação é particularmente relevante porque turismo, atividade econômica, preservação ambiental e acesso público precisam coexistir dentro do mesmo território.
Por que esse projeto importa para a Praia dos Amores e a Praia Brava?
A localização do Morro do Careca torna a discussão especialmente interessante.
Embora administrativamente pertença a Balneário Camboriú, o complexo está praticamente conectado à Praia Brava, em Itajaí. Para quem circula pela região, os limites municipais são muitas vezes menos perceptíveis do que a continuidade urbana entre Praia dos Amores e Brava.
Um novo equipamento turístico no morro pode criar um fluxo diferente de visitantes nessa extremidade de Balneário Camboriú. Restaurantes, espaços para eventos e atrações de aventura também tendem a transformar a relação do visitante com o local: deixa de existir apenas o deslocamento para observar a paisagem e surge uma estrutura concebida para permanência e consumo de experiências.
Isso ajuda a compreender por que a comunidade local acompanha o projeto de perto. Na reunião realizada em 28 de setembro, além da apresentação do complexo, moradores levaram ao debate questões relacionadas a trânsito, infraestrutura, segurança e planejamento do bairro.
A transformação de um ponto turístico, portanto, não acontece isoladamente. Ela interage com o bairro onde está inserida.
O litoral está criando novas experiências além da praia
O Morro do Careca também pode ser observado dentro de um movimento mais amplo do turismo regional.
Durante muito tempo, a principal atração das cidades litorâneas esteve naturalmente concentrada nas praias. Nos últimos anos, porém, diferentes municípios passaram a incorporar equipamentos capazes de oferecer experiências complementares ao mar.
Balneário Camboriú já possui atrações consolidadas além da orla. Itapema está prestes a incorporar a It! Wheel ao Píer Oporto. Penha possui no Beto Carrero World um dos maiores polos turísticos do país e prepara um novo ciclo de expansão. Agora, o Morro do Careca ganha uma estrutura turística concebida para explorar uma característica que já existia no lugar: a paisagem vista do alto.
São projetos muito diferentes entre si, mas que ajudam a mostrar uma mudança importante.
Uma cidade turística não depende apenas daquilo que o visitante pode ver. Ela também depende daquilo que ele pode fazer, experimentar e por quanto tempo permanecer.
É essa capacidade de criar experiências que ajuda a movimentar gastronomia, comércio, hospedagem e serviços e a reduzir a dependência exclusiva da praia e das condições climáticas.
E o que isso significa para o mercado imobiliário?
É justamente aqui que a análise precisa ser mais cuidadosa.
É comum que novos equipamentos turísticos sejam imediatamente associados à valorização imobiliária. Essa relação não deve ser tratada como automática.
O Skyglass BC pode ampliar a oferta turística da região, modificar fluxos de visitantes e criar uma nova dinâmica no Morro do Careca. Mas o comportamento do mercado imobiliário depende de muitas outras variáveis: localização específica, infraestrutura urbana, mobilidade, oferta e demanda, padrão dos empreendimentos, características das unidades e preço de entrada.
Para quem pesquisa um imóvel, a informação relevante não é simplesmente: “Existe uma nova atração turística perto daqui.”
A pergunta mais completa é: “Como essa região está mudando e quais consequências essas mudanças podem produzir no cotidiano de quem vive ou frequenta o entorno?”
Nesse caso, observar o Morro do Careca significa acompanhar não apenas o Skyglass, mas também os acessos, o trânsito, a infraestrutura da Praia dos Amores e da Praia Brava, a preservação ambiental e os demais projetos urbanos previstos para essa parte do litoral.
Como aplicar esse conhecimento na sua pesquisa
Grandes equipamentos turísticos ajudam a revelar a direção das transformações de uma cidade, mas devem ser analisados dentro de um contexto maior.
Ao pesquisar um imóvel próximo a uma atração desse porte, vale observar como será o acesso ao local, onde os visitantes estacionarão, quais vias receberão maior circulação, quais melhorias públicas estão previstas, como o empreendimento se relaciona com as áreas residenciais existentes e quais medidas serão adotadas para preservar as características ambientais da região.
Também é importante diferenciar aquilo que já está em execução daquilo que ainda depende de aprovação ou etapas posteriores.
No Morro do Careca, a transformação do complexo é concreta. Mas o projeto evoluiu desde o início da concessão e algumas das estruturas apresentadas atualmente foram incorporadas posteriormente.
Entender essas diferenças permite olhar para a cidade sem transformar cada anúncio em uma promessa de futuro.
No mercado imobiliário, contexto ajuda a tomar decisões. Não substitui a análise do imóvel.
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Sobre o Direto na Planta
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