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Mercado Imobiliário - Inteligência de Mercado
11 Setembro 2026

Santa Catarina se torna o estado mais competitivo do Brasil: o que esse ranking revela sobre o desenvolvimento catarinense?

Santa Catarina assumiu a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados 2026. Entenda o que está por trás do resultado e como esses indicadores ajudam a compreender o desenvolvimento catarinense.

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Santa Catarina alcançou em 2026 uma posição inédita no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP): pela primeira vez, o estado aparece na liderança nacional, superando São Paulo, que ocupava o primeiro lugar havia 14 edições.

O resultado chama atenção, mas talvez a informação mais interessante esteja além da primeira posição.

O ranking procura avaliar diferentes condições relacionadas à capacidade dos estados de promover desenvolvimento e bem-estar. Infraestrutura, educação, segurança pública, inovação, capital humano, sustentabilidade e potencial de mercado estão entre os aspectos analisados. Segundo o próprio CLP, a competitividade está relacionada à capacidade de um estado promover bem-estar social por meio de suas instituições, políticas e condições para o desenvolvimento econômico e social.

Santa Catarina não chegou ao primeiro lugar porque liderou todos esses quesitos. O que chama atenção é justamente a consistência: em 2026, o estado ficou entre os cinco primeiros colocados em todos os dez pilares avaliados.

Para quem acompanha o mercado imobiliário, o estudo permite uma reflexão que vai além do ranking: um imóvel não está separado da economia, da infraestrutura e da qualidade das cidades que existem ao seu redor.

O que você vai entender neste artigo 

Neste conteúdo, vamos entender o que é o Ranking de Competitividade dos Estados, como Santa Catarina chegou à primeira colocação e quais foram os principais pontos fortes apresentados pelo estado.

 

Também vamos analisar por que indicadores econômicos, sociais e estruturais ajudam a compreender o ambiente no qual o mercado imobiliário catarinense está inserido — e por que ocupar a primeira posição de um ranking estadual não significa, por si só, que todos os imóveis de Santa Catarina irão se valorizar.

 

O que significa ser o estado mais competitivo do Brasil?

Antes de analisar a posição de Santa Catarina, é importante compreender o significado de “competitividade” utilizado pelo estudo.

 

O Ranking de Competitividade dos Estados é uma ferramenta do Centro de Liderança Pública (CLP) voltada à comparação das 26 unidades estaduais e do Distrito Federal. A proposta é utilizar indicadores para avaliar diferentes dimensões da gestão pública e das condições econômicas e sociais existentes em cada estado. O CLP disponibiliza também os relatórios técnicos, dados brutos e séries históricas utilizados na pesquisa.

 

Portanto, não se trata de uma eleição sobre qual é o “melhor estado para morar”, nem de um ranking imobiliário.

 

Também não significa necessariamente que Santa Catarina possui a maior economia, os maiores salários ou a melhor infraestrutura do país em todos os aspectos.

 

A classificação é resultado da combinação de diferentes indicadores agrupados em dez grandes pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.

 

Essa distinção é importante porque permite interpretar corretamente o resultado.

 

Santa Catarina ultrapassou São Paulo pela primeira vez

A edição de 2026 marcou uma mudança importante na liderança.

Santa Catarina alcançou 87,06 pontos, enquanto São Paulo registrou 80,68 e o Paraná, terceiro colocado, 76,30. O resultado encerrou uma sequência de 14 edições nas quais São Paulo ocupou a primeira posição.

Mas Santa Catarina não surgiu repentinamente entre os estados mais competitivos.

O estado já ocupava a segunda colocação havia várias edições e vinha reduzindo progressivamente a distância para São Paulo. Segundo os dados divulgados pelo ranking, a vantagem paulista era de 5,6 pontos em 2023, caiu para 2,7 em 2024 e ficou próxima de um ponto em 2025. Em 2026, Santa Catarina passou à frente, abrindo aproximadamente 6,4 pontos de vantagem.

A trajetória é relevante porque mostra que o resultado de 2026 deve ser observado dentro de um processo mais longo, e não apenas como uma mudança pontual de posição.

O próprio relatório ressalta ainda que a troca na liderança representa o desempenho relativo entre os estados. Portanto, a queda de São Paulo para a segunda posição não significa necessariamente que todas as suas condições tenham piorado de forma absoluta.

Onde Santa Catarina se destaca?

Um dos aspectos mais interessantes da edição de 2026 é a distribuição do desempenho catarinense.

 

Santa Catarina ficou em 1º lugar em quatro dos dez pilares: Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social.

 

Nos demais, aparece sempre entre os cinco primeiros: 

 PILAR   POSIÇÃO DE SC EM 2026 
Capital Humano 1º
Potencial de Mercado 1º
Segurança Pública 1º
Sustentabilidade Social 1º
Educação 2º
Inovação 2º
Eficiência da Máquina Pública 3º
Solidez Fiscal 4º
Sustentabilidade Ambiental 4º
Infraestrutura 5º

 

Esse talvez seja o principal ponto para compreender a liderança. Santa Catarina não depende de um único indicador excepcional para sustentar sua posição: apresenta desempenho elevado em diferentes dimensões avaliadas pelo estudo.

 

O resultado também revela onde Santa Catarina ainda pode avançar

Estar em primeiro lugar no resultado geral não significa ocupar a liderança em todas as áreas.

 

Na infraestrutura, por exemplo, Santa Catarina aparece na 5ª posição, enquanto São Paulo permanece em primeiro. Em sustentabilidade ambiental, SC ocupa o 4º lugar. Em solidez fiscal, também está na quarta colocação.

 

Essa leitura é particularmente interessante para quem vive no estado.

 

Rodovias congestionadas, desafios de mobilidade, saneamento, drenagem urbana e necessidade de ampliação de diferentes infraestruturas continuam presentes em várias regiões catarinenses. A liderança nacional no ranking não elimina esses problemas.

 

Na realidade, o próprio conceito de competitividade ajuda a mostrar que desenvolvimento é um processo composto por diferentes dimensões.

 

Santa Catarina pode apresentar resultados muito fortes em capital humano, segurança, educação e potencial de mercado e, simultaneamente, continuar precisando de investimentos importantes em infraestrutura.

 

Essa combinação ajuda a interpretar melhor o momento vivido pelo estado: a liderança não significa que os desafios terminaram.

 

Capital humano: pessoas também fazem parte da infraestrutura de uma economia

Quando falamos sobre desenvolvimento regional, é comum pensar primeiro em rodovias, portos, aeroportos e grandes obras.

 

Mas existe outro tipo de infraestrutura essencial para uma economia: as pessoas.

 

O pilar de Capital Humano procura observar características relacionadas à qualificação e à produtividade da força de trabalho. O próprio CLP considera a qualificação da mão de obra um fator central para o desenvolvimento econômico e social.

 

Santa Catarina ocupa a primeira colocação nacional nesse pilar em 2026.

 

Esse aspecto é importante porque empresas não escolhem uma região apenas pela disponibilidade de terrenos ou pela proximidade de uma rodovia. A existência de trabalhadores qualificados, instituições de ensino e capacidade de formação profissional também interfere na possibilidade de instalação e expansão de atividades econômicas.

 

E empresas, por sua vez, geram empregos, movimentam serviços e criam demanda por moradia.

 

É assim que diferentes dimensões do desenvolvimento começam a se conectar.

 

Potencial de mercado ajuda a compreender a força econômica

Outro pilar liderado por Santa Catarina é o Potencial de Mercado.

 

O conceito é especialmente interessante para entender por que competitividade não deve ser confundida apenas com eficiência do governo. O ambiente econômico existente em determinada região também faz parte dessa análise.

 

Quando empresas encontram consumidores, trabalhadores, fornecedores, infraestrutura e condições para expandir suas atividades, formam-se ciclos econômicos capazes de sustentar novos investimentos.

 

Isso ajuda a compreender algumas transformações observadas atualmente em Santa Catarina.

 

No Vale do Itajaí e no litoral, por exemplo, convivem atividades portuárias, indústria, logística, comércio exterior, tecnologia, construção civil, serviços e turismo. Nenhuma delas explica isoladamente o desenvolvimento regional. É justamente a combinação de diferentes atividades que cria uma economia mais diversificada.

 

Segurança e sustentabilidade social também entram nessa conta

Dois outros pilares em que Santa Catarina aparece na primeira posição são Segurança Pública e Sustentabilidade Social.

 

Isso reforça uma característica importante do ranking: competitividade não é analisada exclusivamente pela capacidade de produzir riqueza.

 

Condições sociais também interferem na capacidade de um território de atrair e manter pessoas, trabalhadores, estudantes e empresas. O CLP define competitividade justamente de forma relacionada à capacidade dos estados de promover bem-estar e desenvolvimento social e econômico.

 

Essa relação é particularmente importante quando pensamos em movimentos populacionais.

 

Uma empresa pode escolher uma cidade por razões logísticas. Uma família pode escolher a mesma cidade considerando emprego, educação, segurança, serviços e qualidade de vida.

 

Quando esses fatores começam a coexistir, o crescimento econômico passa a produzir também novas demandas urbanas.

 

Educação e inovação completam parte desse ambiente

Santa Catarina aparece ainda na segunda colocação nacional tanto em Educação quanto em Inovação.

 

Em educação, o avanço foi particularmente expressivo: o estado ganhou sete posições em relação à edição anterior. Também houve avanço de sete posições em Eficiência da Máquina Pública, chegando ao terceiro lugar.

 

A inovação possui outra conexão importante com a dinâmica econômica. Novas técnicas, processos e modelos de negócio ajudam empresas e organizações a aumentar produtividade e desenvolver novas atividades. O CLP trata esse fator como uma das dimensões estruturais da competitividade dos estados.

 

Em regiões onde existe combinação entre universidades, empresas, trabalhadores qualificados e atividade econômica diversificada, esses elementos podem se retroalimentar.

 

Não é por acaso que desenvolvimento regional dificilmente pode ser explicado por um único investimento.

 

O litoral catarinense ajuda a visualizar essa combinação

Quando trazemos essa discussão para a região acompanhada pelo Direto na Planta, os conceitos deixam de parecer abstratos.

 

Itajaí e Navegantes possuem um dos principais complexos portuários do Brasil. A BR-101 atravessa o litoral, enquanto a BR-470 conecta essa região ao Vale do Itajaí e ao interior do estado. O Aeroporto Internacional de Navegantes oferece conexão aérea comercial, enquanto o projeto de expansão do Campo Comandantes, em Itajaí, procura ampliar a estrutura disponível para aviação executiva.

 

Ao mesmo tempo, cidades como Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras apresentam diferentes combinações entre turismo, serviços, construção civil, indústria e atividades logísticas.

 

Nenhum desses elementos sozinho explica o crescimento da região.

 

Mas quando infraestrutura, atividade econômica, empregos, serviços, educação e qualidade urbana começam a ser analisados conjuntamente, torna-se mais fácil compreender por que determinados territórios atraem empresas e pessoas.

 

É exatamente esse tipo de visão mais ampla que um ranking de competitividade pode ajudar a construir. 

 

Por que isso interessa a quem acompanha o mercado imobiliário?

Aqui é necessário fazer uma distinção importante.

 

O Ranking de Competitividade dos Estados não é um indicador imobiliário.

 

Ele não mede preço do metro quadrado, velocidade de vendas, número de lançamentos, estoque disponível ou rentabilidade de imóveis.

 

Portanto, Santa Catarina ocupar a primeira posição não significa que os imóveis do estado automaticamente irão se valorizar, muito menos que qualquer cidade, bairro ou empreendimento seja necessariamente uma boa escolha.

 

A relação com o mercado imobiliário acontece de forma indireta e muito mais ampla.

 

Imóveis precisam de pessoas dispostas e capazes de morar, trabalhar, estudar, consumir ou investir em determinada região. A existência dessa demanda está relacionada à economia, aos empregos, à renda, à infraestrutura e à capacidade de uma cidade oferecer condições adequadas para seus moradores.

 

Por isso, indicadores econômicos e sociais podem ajudar a compreender o ambiente no qual o mercado imobiliário está inserido.

 

Eles fornecem contexto, não previsão.

 

Um bom estado não significa que todas as cidades sejam iguais

Existe ainda outra limitação importante na interpretação do resultado.

 

O ranking é estadual.

 

Ele reúne indicadores de Santa Catarina como um todo e não permite concluir, a partir da classificação geral, que todas as cidades catarinenses apresentam as mesmas condições.

 

Florianópolis possui uma dinâmica econômica diferente de Joinville. Itajaí possui características diferentes de Itapema. Navegantes não cresce pelas mesmas razões que Balneário Camboriú. Porto Belo possui desafios e oportunidades diferentes de Blumenau.

 

Mesmo dentro de uma única cidade, bairros podem apresentar realidades completamente distintas.

 

Por isso, quanto mais a análise se aproxima da decisão de comprar um imóvel, mais necessário se torna reduzir a escala:

 

Brasil → Santa Catarina → região → cidade → bairro → empreendimento → planta.

 

O ranking ajuda principalmente nas primeiras camadas dessa análise. 

 

O primeiro lugar também aumenta a responsabilidade sobre o crescimento

Há ainda outra leitura possível.

 

Quanto mais pessoas e empresas são atraídas por uma região, maior tende a ser a pressão sobre sua infraestrutura.

 

Crescimento populacional exige mais habitação, saneamento, abastecimento de água, escolas, hospitais e serviços. Aumento da atividade econômica exige rodovias, mobilidade, energia e infraestrutura logística. Maior ocupação urbana aumenta também a importância da drenagem, do planejamento territorial e da preservação ambiental.

 

É por isso que a quinta posição de Santa Catarina no pilar Infraestrutura merece atenção, mesmo dentro de um resultado geral tão positivo.

 

Competitividade não deve ser interpretada apenas como capacidade de atrair crescimento.

 

Também envolve a capacidade de sustentá-lo ao longo do tempo.

 

Esse talvez seja um dos principais desafios catarinenses para os próximos anos.

 

Como aplicar esse conhecimento na sua pesquisa

Quando você estiver pesquisando uma cidade para morar ou investir, tente ampliar a análise além do preço dos imóveis.

 

Pergunte quais atividades econômicas sustentam aquela região. Observe onde estão os empregos, como funciona a mobilidade, quais infraestruturas existem, quais estão sendo ampliadas e quais são os principais desafios urbanos. Pesquise educação, serviços, saneamento, segurança e crescimento populacional.

 

Depois, reduza gradualmente a escala até chegar ao imóvel.

 

Um estado competitivo pode oferecer um ambiente favorável ao desenvolvimento, mas é a combinação entre cidade, localização, produto, preço e objetivo da compra que determinará se uma opção realmente faz sentido para você.

 

O resultado de Santa Catarina no Ranking de Competitividade dos Estados 2026 acrescenta uma informação importante a essa análise: o estado apresenta desempenho elevado em diferentes dimensões econômicas, sociais e institucionais.

 

Mas talvez a principal lição do ranking esteja justamente em sua metodologia.

 

Para compreender por que um território se desenvolve, não basta observar apenas um indicador.

 

O mesmo princípio vale para o mercado imobiliário. 

 

Santa Catarina chegou ao primeiro lugar. E agora?

Depois de anos ocupando a segunda posição, Santa Catarina alcançou pela primeira vez a liderança nacional no Ranking de Competitividade dos Estados.

 

É um resultado relevante e ajuda a compreender algumas das condições existentes por trás do desenvolvimento catarinense.

 

Mas o ranking também mostra que ainda existem desafios.

 

Infraestrutura, sustentabilidade ambiental e capacidade de acompanhar o crescimento urbano continuarão exigindo investimentos e planejamento. E a própria expansão econômica pode tornar essas necessidades ainda maiores.

 

Para quem acompanha o mercado imobiliário, o primeiro lugar de Santa Catarina não deve ser entendido como uma recomendação de compra.

 

Ele deve ser lido como mais uma peça de um quebra-cabeça muito maior.

 

Porque antes de entender o preço de um imóvel, é importante compreender a cidade, a região e a economia que existem ao redor dele. 

 

Continue explorando

O desenvolvimento do litoral catarinense é resultado de uma combinação entre economia, infraestrutura, turismo, mobilidade e transformação urbana. No Direto na Planta, você pode aprofundar essa análise nos conteúdos sobre como o litoral catarinense se tornou um dos mercados imobiliários mais valorizados do Brasil, os investimentos que estão transformando o litoral catarinense, por que o Vale do Itajaí se tornou uma das regiões mais prósperas de Santa Catarina e o que investidores observam antes de comprar um imóvel.

 

Também vale conhecer as análises sobre a nova fase do Porto de Itajaí e sobre o Campo Comandantes e a expansão da aviação executiva em Itajaí, dois exemplos de como infraestrutura e atividade econômica ajudam a compreender as transformações que acontecem na região.

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