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Cidades em Desenvolvimento - Mercado Imobiliário
03 Setembro 2026

Uma cidade cresce para cima. Mas o que precisa crescer debaixo dela?

Saneamento, drenagem e abastecimento também precisam acompanhar o crescimento das cidades. Entenda por que essa infraestrutura importa na análise do mercado imobiliário.

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Quando observamos uma cidade em transformação, normalmente as mudanças mais visíveis são também as que recebem maior atenção. Novos edifícios alteram o horizonte, avenidas são abertas, parques são inaugurados e novos empreendimentos comerciais passam a fazer parte da rotina da população.

 

Mas uma parte importante desse crescimento acontece onde quase ninguém vê.

 

Debaixo das ruas estão redes de abastecimento de água, coleta de esgoto, galerias pluviais, sistemas de drenagem e outras estruturas essenciais para que uma cidade consiga suportar o aumento da população e da ocupação urbana.

 

Em cidades do litoral catarinense que cresceram rapidamente nos últimos anos, essa discussão ganha ainda mais importância. Itapema está ampliando sua infraestrutura de saneamento, enquanto Itajaí possui novas obras e projetos relacionados à macrodrenagem e à prevenção de alagamentos.

 

São investimentos muito menos visíveis do que uma nova avenida ou um grande empreendimento, mas que ajudam a responder uma pergunta fundamental:

 

quando uma cidade cresce para cima, sua infraestrutura também está preparada para crescer junto?

 

O que você vai entender neste artigo

O crescimento imobiliário não depende apenas da capacidade de construir novos edifícios. Neste artigo, vamos entender por que abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e drenagem urbana fazem parte da infraestrutura necessária para sustentar o desenvolvimento de uma cidade.

 

Também vamos observar exemplos atuais de Itapema e Itajaí e entender por que essas informações podem ser relevantes para quem pesquisa uma região antes de comprar um imóvel.

 

O crescimento de uma cidade não acontece apenas na superfície

Um novo edifício residencial pode acrescentar dezenas ou até centenas de moradores a uma pequena área da cidade. Quando diversos empreendimentos são construídos em uma mesma região, a transformação passa a acontecer em uma escala muito maior.

 

Mais moradores significam maior consumo de água, maior geração de esgoto, aumento dos deslocamentos e maior utilização dos serviços urbanos. Ao mesmo tempo, a impermeabilização do solo causada por ruas, estacionamentos, calçadas e edificações interfere na maneira como a água das chuvas escoa pela cidade.

 

Por isso, crescimento imobiliário e infraestrutura urbana precisam caminhar juntos.

 

Uma cidade pode ter terrenos disponíveis e demanda suficiente para novos empreendimentos, mas sua capacidade de crescimento também está relacionada à infraestrutura que sustenta essa ocupação.

 

Parte dela está justamente onde não conseguimos enxergar.

 

Itapema está ampliando sua infraestrutura de saneamento

Itapema oferece um exemplo atual dessa transformação. A cidade vive um intenso processo de verticalização e crescimento imobiliário, ao mesmo tempo em que recebe investimentos para ampliar os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

 

A Conasa Águas de Itapema anunciou um plano de R$ 219,3 milhões em investimentos para 2026 e 2027, envolvendo ampliação da capacidade de reservação de água, modernização de estações de tratamento, implantação de novas redes e reforços estruturais.

 

No esgotamento sanitário, a previsão da concessionária é elevar a cobertura de coleta para 95% nos próximos anos, mantendo tratamento de 100% do volume coletado.

 

Essas obras já podem ser percebidas no cotidiano da cidade. Ao longo de julho e agosto, diferentes vias receberam intervenções relacionadas à ampliação do sistema. Na Avenida Nereu Ramos, por exemplo, foi necessária uma intervenção para implantação de um novo emissário de esgoto.

 

Para quem passa pela obra, o impacto mais imediato pode ser uma interdição ou alteração temporária no trânsito. Para a cidade, entretanto, o que está sendo instalado debaixo da avenida terá uma função por muitos anos.

 

É justamente essa diferença de perspectiva que interessa para quem acompanha o desenvolvimento urbano.

 

Água também precisa acompanhar o aumento da população

Quando falamos em saneamento, é comum pensar primeiro no esgoto. Mas o abastecimento de água representa outro grande desafio para cidades que recebem crescimento populacional e forte aumento sazonal durante o verão.

A infraestrutura precisa ser dimensionada não apenas para a população residente atual, mas também para os períodos de maior consumo e para o crescimento projetado.

Reservatórios, estações de tratamento, adutoras e redes de distribuição fazem parte dessa estrutura. Quando novos bairros e edifícios surgem, a capacidade do sistema passa a ser tão importante quanto a disponibilidade física de água.

Por isso, os investimentos anunciados para Itapema contemplam tanto o esgotamento sanitário quanto a ampliação e modernização do abastecimento.

Para uma cidade turística, essa capacidade ganha importância adicional: a infraestrutura precisa lidar com uma população que pode variar significativamente ao longo do ano.

 

Em Itajaí, outro desafio aparece: para onde vai a água da chuva?

Itajaí apresenta uma característica diferente. A geografia da cidade, a presença do Rio Itajaí-Açu e de seus cursos d'água e a ocupação de áreas baixas tornam a drenagem urbana um tema especialmente importante.

Em maio de 2026, o Município assinou ordem de serviço para uma obra de R$ 15,5 milhões na Avenida Radial Oeste, em Cordeiros. O projeto inclui mais de um quilômetro de intervenções com ampliação da macrodrenagem, pavimentação e adequações viárias, buscando reduzir problemas recorrentes de alagamento na região.

Agora, outra intervenção estrutural está avançando.

A Concorrência 12/2026 prevê uma obra de macrodrenagem no Ribeirão da Murta, incluindo adequações das travessias hidráulicas sob a BR-101, suas vias marginais e a Rua Dr. Reinaldo Schmithausen. O projeto contempla novas galerias de concreto, regularização de canal, contenções, pavimentação e recomposição viária. A abertura do processo estava marcada para 31 de agosto de 2026.

Novamente, boa parte da infraestrutura ficará praticamente invisível depois de concluída.

Mas sua função continuará existindo sempre que chover.

 

Por que cidades verticalizadas precisam olhar também para a drenagem?

O problema da água da chuva ajuda a explicar uma das consequências da urbanização.

 

Em uma área pouco ocupada, parte da chuva consegue infiltrar naturalmente no solo. À medida que a cidade cresce, uma parcela maior da superfície passa a ser coberta por telhados, ruas, estacionamentos e calçadas.

A água que antes infiltrava precisa encontrar outro caminho.

 

Galerias pluviais, canais, rios e sistemas de retenção passam a receber volumes maiores em períodos mais curtos. Quando essa infraestrutura não possui capacidade suficiente ou encontra pontos de estrangulamento, o risco de alagamentos pode aumentar.

 

É por isso que drenagem não deve ser entendida simplesmente como uma obra para resolver um problema depois que ele aparece. Ela também faz parte do planejamento necessário para permitir que determinadas regiões continuem se desenvolvendo.

 

Saneamento e drenagem são a mesma coisa?

Embora frequentemente apareçam juntos quando falamos de infraestrutura urbana, são sistemas diferentes.

 

O esgotamento sanitário coleta o esgoto produzido pelos imóveis e o conduz para tratamento adequado. Já a drenagem urbana é responsável principalmente por conduzir e administrar a água das chuvas.

 

Misturar os dois sistemas pode gerar problemas ambientais e operacionais. Por isso, cidades precisam desenvolver redes adequadas para cada finalidade.

 

Existe ainda o abastecimento de água, que possui outra infraestrutura própria, responsável por captar, tratar, armazenar e distribuir água para residências, empresas e demais usuários.

 

Quando uma cidade cresce, todos esses sistemas são pressionados simultaneamente.

 

O que isso tem a ver com a escolha de um imóvel?

Quem pesquisa um imóvel costuma analisar localização, metragem, posição solar, área de lazer, vagas de garagem, preço e padrão construtivo.

São critérios importantes, mas existe outra camada de análise: a infraestrutura da região onde aquele imóvel está inserido.

Conhecer a cobertura de saneamento, observar o histórico de alagamentos, entender se existem investimentos previstos em drenagem e verificar como o abastecimento se comporta nos períodos de maior demanda ajuda a construir uma visão mais completa sobre determinada localização.

Isso é especialmente relevante na compra de um imóvel na planta.

Um empreendimento lançado hoje poderá ser entregue daqui a três, quatro ou cinco anos. Durante esse período, não será apenas o edifício que estará sendo construído. A própria cidade continuará mudando ao redor dele.

Por isso, acompanhar investimentos públicos e privados em infraestrutura ajuda a compreender melhor como aquela região está se preparando para o futuro.

 

Infraestrutura também pode ser um limite para o crescimento

Existe uma tendência de imaginar que uma cidade pode continuar crescendo indefinidamente sempre que houver demanda por novos imóveis.

 

Na prática, o desenvolvimento urbano encontra limites.

 

Sistema viário, abastecimento de água, saneamento, drenagem, energia, escolas, serviços de saúde e outros equipamentos precisam acompanhar a quantidade de pessoas que passam a utilizar determinada região.

 

Quanto mais intensa é a ocupação, maior tende a ser a exigência sobre essa estrutura.

 

É por isso que grandes investimentos em infraestrutura merecem ser observados juntamente com os novos lançamentos. Eles ajudam a mostrar não apenas onde uma cidade está crescendo, mas como ela está tentando criar capacidade para sustentar esse crescimento.

 

Como aplicar esse conhecimento na sua pesquisa

Antes de escolher uma região, vale pesquisar além dos empreendimentos disponíveis. Informações sobre saneamento, abastecimento, drenagem e obras estruturais ajudam a revelar aspectos da cidade que dificilmente aparecem em uma apresentação comercial.

Isso não significa que uma região com uma grande obra de infraestrutura automaticamente se tornará melhor ou terá imóveis mais valorizados. Assim como ocorre com avenidas, parques e equipamentos turísticos, nenhuma intervenção isolada determina o comportamento do mercado imobiliário.

O que importa é compreender o conjunto.

Itapema está investindo na ampliação de seu sistema de saneamento enquanto continua se verticalizando. Itajaí, por sua vez, possui intervenções importantes relacionadas à drenagem e à prevenção de alagamentos. São cidades diferentes, com desafios diferentes, mas os dois exemplos mostram uma mesma realidade: o desenvolvimento urbano também depende da infraestrutura que quase nunca aparece na paisagem.

 

Nem toda transformação de uma cidade pode ser vista

Novos edifícios são fotografados. Parques são inaugurados. Avenidas transformam imediatamente a paisagem e grandes atrações turísticas se tornam cartões-postais.

 

Uma galeria de drenagem dificilmente terá o mesmo destaque.

 

Uma tubulação de esgoto será enterrada e, se funcionar corretamente, provavelmente deixará de ser percebida pela maior parte da população.

 

Mas isso não torna essas estruturas menos importantes.

 

Para quem pretende compreender uma cidade antes de escolher um imóvel, talvez uma das melhores perguntas seja justamente aquela que raramente aparece nos anúncios:

 

enquanto a cidade cresce para cima, o que está sendo feito debaixo dela?

 

Continue explorando

O desenvolvimento de uma cidade é resultado de diferentes fatores. Infraestrutura, economia, mobilidade, turismo e planejamento urbano ajudam a compreender por que determinadas regiões se transformam ao longo do tempo.

 

No Direto na Planta, você também pode conhecer os conteúdos sobre os investimentos que estão transformando o litoral catarinense, o que investidores observam antes de comprar um imóvel e como avaliar um imóvel na planta antes de comprar. 

 

Sobre o Direto na Planta

O Direto na Planta reúne informações sobre lançamentos imobiliários, cidades e transformações do mercado para ajudar compradores e investidores a pesquisar, comparar e compreender melhor suas opções antes de decidir.

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